"Adeus , minha Concubina" de Lillian Lee (ASA)
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Blog sobre todos os livros que eu conseguir ler! Aqui, podem procurar um livro, ler a minha opinião ou, se quiserem, deixar apenas a vossa opinião sobre algum destes livros que já tenham lido. Podem, simplesmente, sugerir um livro para que eu o leia! Fico à espera das V. sugestões e comentários! Agradeço a V. estimada visita. Boas leituras!
Bibliomaníaca e melómana. O resto terão de descobrir por vocês!
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Uma colectânea de mini-contos para todas as idades onde se persegue a vida e a felicidade ao longo de uma estrada infinita...
O ponto de fuga é aquilo que, em pintura, se pode chamar de "ponto de convergência" e nos dá a ilusão de perspectiva. Este é o denominador comum das estórias contidas na obra composta por uma irresistível colectânea de mini-contos da autoria de Fernando Campos cujas publicações como A Casa do Pó e A Sala das Perguntas" estão já traduzidas em várias línguas. Nesta publicação, Fernando Campos tem o mérito de conseguir aliar a pintura à escrita, onde o ponto de fuga tanto pode ser a barraca longe da civilização urbana para onde se evade uma família lisboeta durante as férias, como o lugar, algures no infinito, para lá da linha do horizonte, onde duas rectas paralelas parecem encontrar-se, na fábula de Esopo, reiventada pelo autor - Aquiles e a Tartaruga.
O ponto de fuga, explicado com todas as letras no terceiro conto - A Caminho de Monsaraz"-, no qual o pintor\narrador explica demonstra a forma de encontrá-lo, ao volante do carro, a caminho da povoação alentejana.
O Autor, ao utilizar uma linguagem extremamente depurada, socorre-se da sua à sua extraordinária criatividade e vastíssimas referências culturais, relacionando conceitos tão abstractos e complexos como a Beleza, a Justiça, a Fraternidade e a Liberdade, brinca com as palavras, recorre ao uso de trocadilhos e lendas populares despertando, como que por magia, o interesse do leitor médio para as coisas mais eruditas.
Alguns dos contos são relatados em formato de poema como Luva Branca, no qual a fonte de calor é o ponto de fuga para onde converge a atenção do gato; e Tudo é possível excepto... - um poema filosófico sobre a perseguição da sabedoria absoluta como o ponto de fuga da história do saber.
O ponto de fuga pode situar-se, também, ao fundo da Rua da Alegria onde no refúgio do lar; pode ser o Paraíso, sem estar necessariaente localizado no céu bíblico, podendo ser até mesmo o próprio Inferno, se lá residirem aqueles que amamos.
Pode ser o lugar onde se evade a alma quando abandona o corpo - No cume da Montanha. Ou o Amor para a mente cartesiana dos Matemáticos em Números.
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Tradução de Helena Pitta
A articulação do jogo de interesses, inserido na teia do mundo do crime à escala mundial, numa história de amor, traição e vingança.
A Rainha do Sul é um romance obtido a partir do resultado de um exaustivo trabalho de investigação, levado a cabo pelo autor, sobre a estruturação de uma economia paralela, à escala global.
Para poder levá-lo a cabo, o Autor teve de proceder à indagação sobre a vida de uma conhecida narcotraficante residente em Espanha e originária do México, a qual operava através de uma empresa que, por sua vez, mantinha a fachada de transportadora internacional de mercadorias.
Apesar de o nome e as circunstancias presentes no romance serem fictícios, o Auto partiu de factos reais e de vários testemunhos de personalidades estreitamente ligadas à conhecida rede de narcotráfico. É por esse motivo que um romance como este consegue traçar, em linhas gerais, um quadro tão verosímil, da forma como se articula o tráfico de haxixe e cocaína envolvendo as principais redes internacionais do crime organizado: a ligação de Espanha a Marrocos e à à Colômbia, funcionando o Sul do país de "nuestros hermanos" como um espécie de entreposto para o comércio de estupefacientes com toda a Europa, em conexão com as associações criminosas italianas (a Máfia da Sicília, a Camorra de Nápoles e a N'Dranghetta da Calábria) e com o narcotráfico com a Europa de Leste.
Juntamente ao tráfico de drogas, o autor deixa, também, entrever um pouco as ligações ao "tráfico de carne humana", concretamente nos bares de alterne da já referida zona turística espanhola.
Nesta obra, temos a oportunidade de observar, também, com minúcia, o desenrolar do processo de lavagem de dinheiro, as operações de transporte de droga, chantagem e esquemas de fuga à Lei a que se junta, muitas vezes, um trabalho de "parceria" de parte das autoridades oficiais (polícia, tribunais, autarquias, governo) com os narcotraficantes.
O ritmo da história é contado a duas velocidades: em primeiro lugar, temos o investigador-repórter que entrevista os principais intervenientes na história, em contacto com Teresa Mendoza a protagonista e anti-heoína (embora, na realidade a trafique, passo o trocadilho, a que não conseguimos resistir). Aqui, a narrativa adquire um ritmo mais lento para dar ao leitor a oportunidade de analisar e avaliar os acontecimentos e o carácter das personagens e, por vezes, manifestar os seus próprios pensamentos e pontos de vista.
Por outro lado, temos a parte do romance propriamente dito que implica o lado criativo do autor, na qual, o narrador, omnisciente e não participante, facilita a reconstituição dos episódios vividos pela protagonista e as demais personagens. A partir daqui, podemos identificar uma vilã que acaba por cativar os leitores pela inteligência argúcia e capacidade de sedução - apesar dos meios duvidosos que emprega para conseguir os seus objectivos - que encarna uma versão feminina da personagem Edmond Dantés no romance O Conde de Monte-Cristo de Alexandre Dumas, que é aqui substituído por uma tratar-se de uma mulher-fatal cuja finalidade é a de triunfar num mundo de homens, no qual irá assumir o papel de vingadora pela morte do namorado, morto em consequência de um ajuste de contas, ditado pela infracção das regras do jogo. Depois de passar algum tempo na prisão, Teresa irá, tal como a personagem de Dumas, encontrar os meios para consumar a sua vingança e procurar uma posição de liderança no mundo dos negócios de transporte de estupefacientes.
Uma "Condessa de Monte-Cristo" dos finais do sec. XX, mas retratada ao estilo frio e cáustico de Reverte, mas cujo final diverge, felizmente, em muito do do romancista francês do século XVIII.
Um texto brilhante, pródigo na utilização da gíria e calão dos narcotraficantes e do ambiente tenso de quem vive constantemente no fio da navalha.
Cláudia de Sousa Dias
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Tradução: Carlos Correia Monteiro
O episódio na História do cristianismo na Europa a que muitos chamaram de "o segundo exílio na Babilónia" aquando da guerra dos cem anos...
Michel Peyramaure é autor de uma vasta obra ficcional, contando já com mais de 50 títulos publicados em França. Foi galardoado com o Prémio Alexandre Dumas pelo conjunto da sua obra.
A Torre dos Anjos é um romance histórico de elevada riqueza de pormenores de imagem e rigor histórico que nos transporta para a época medieval, colocando-nos em contacto com o mundo intelectual e artístico de então, através da personagem fictícia Júlio Grimaldi - o narrador - , funcionário laico do aparelho administrativo da corte pontifícia, que se encarrega de fazer a ponte entre a realidade factual e a criação do autor. É, através deste personagem, que tomamos contacto com a intimidade do grande poeta Petrarca e da sua musa, Laura de Sade, com os pintores Mateo Giacometti e Giotto, juntamente com os seus vícios e virtudes.
A trama inicia-se com a tentativa de rapto do Papa por Filipe, o Belo, Rei de França, que acabará por obrigar a Cúria a exilar-se naquele país, sendo-lhe desta forma, mais fácil, manobrar a eleição de um Sumo Pontífice, escolhendo alguém da sua preferência - Clemente V . A partir de então terá as condições ideais para deslocar as peças que compõem o complicado jogo de xadrez político que é a Europa.

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A tragicomédia da sedução olfactiva e animal contidas num num frasco de perfume em vias de extinção é a essência deste romance. "Musk" é história da loucura obsessiva do agente secreto Armand Eme (M de Musk) cujo hobby preferido é a sedução, num divertida paródia aos filmes de 007.
O personagem é um homem narcisista e meticuloso ao extremo - sobretudo no tocante ao cuidado da sua toilette -, vive apenas em função de si mesmo, de tal modo que a vaidade parece ser tudo o que lhe resta já que, na sua vida, não há mais ninguém suficientemente importante a quem dedicar a atenção nos tempos de ócio...
Esta é, talvez, a explicação para que esta personagem se sinta completamente desorientada quando se vê, subitamente, privada da sua principal arma de sedução: o perfume Musk.
Este aroma, devido à imposição da nova gerência da empresa que o produz, é retirado do mercado, sendo substituído por uma nova fórmula, com o objectivo de satisfazer os novos objectivos de produção e não necessariamente para proteger a espécie animal que contribui para o seu fabrico. O que obriga a que o musk, produzido pelas glândulas sexuais de uma espécie de antílope em vias de extinção, deixe de ser comercializado. Em seu lugar, é colocado um produto de odor semelhante, mas de origem sintética. A protecção da espécie e as exigências do mercado obligent.
E o senhor Eme vê-se então despojado, espoliado do seu mais eficaz afrodisíaco. Que lhe é tanto mais necessário quanto maior o inexorável avanço da idade que o vai, lentamente, privando dos seus encantos naturais. Conservados pela ilusão mágica do perfume - autêntico efeito placebo.
Consequentemente, a história gira em torno das mais extravagantes estratégias elaboradas pelo protagonista de forma a conseguir arrecadar a maior quantidade de perfume possível de tão erógeno aroma e prolongar um pouco mais a vida, a juventude e a capacidade de suscitar desejo no sexo oposto.
A história de Musk ilustra um pouco aquilo que acontece com as grandes marcas de alta perfumaria. Até há algumas décadas atrás, estas dedicavam-se a elaborar fórmulas de luxo destinadas ao consumo de uma élite. Hoje em dia, o mercado da alta perfumaria estende-se às massas. É, pois, necessário produzir em grandes quantidades e com o mínimo de custos, obrigando à substituição de alguns ingredientes, extremamente caros, ou de difícil obtenção -, como é o caso do âmbar cinzento, há algum tempo atrás mencionado nas notícias, proveniente das baleias-cachalote (presente em perfumes de marcas de tradição parfumeur), agora substituído porum ingrediente de odor semelhante proveniente das agulhas de pinheiro; ou do célebre fixador do desaparecido perfume Joy, de Jean Patou, cujo extracto implica o sacrifício de inúmeros exemplares de uma rara espécie de escorpião, o que obrigou a retirar o perfume do circuito comercial português, encontrando-se à venda apenas num número bastante restrito de países entre os quais a França e E.U.A.
A escolha do tema, por parte do Autor, teve como inspiração a substituição dos ingredientes da sua marca de chocolates preferida, juntamente com uma pequena alteração do respectivo invólucro. Esta situação levou-o a estabelecer um paralelismo com o mundo da perfumaria, construindo uma personagem que faz lembrar um pouco a obsessão de Jean-Baptiste Grenouille, o vilão de O Perfume de Patrick Süskind.
Um conto para desfutar durante o fim-de-semana do bom humor ao estilo britânico de Percy Kemp.
Cláudia de Sousa Dias
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Um romance que se lê com volúpia, humor e muito espírito crítico
Justin Cartwright nasceu na África do Sul e vive, actualmente, em Londres sendo, já desde o início da sua carreira literária, considerado pela crítica especializada como um dos mais interessantes escritores ingleses contemporâneos.
Em O Sonho Masai, o Autor explora os processos de aculturação sofrida pelos povos daquele reguião equatorial africana, sob forte influência da cultura britânica manifesta nos hábitos, padrões de cultura e normas de conduta daquele povo emblemático da nação Queniana.
Mas o que torna esta obra realmente interessante, sobretudo para os apaixonados das ciências sociais (com especial destaque para a antropologia e sociologia pela referência constante a nomes como Margaret Mead, Émile Durkheim, Marcel Mauss e Claude Lévi-Strauss) é o facto de este autor ousar estabelecer uma analogia entre os hábitos considerados "selvagens" da cultura da sociedade Masai e os da Europa da Segunda Guerra Mundial.
O conteúdo da obra oscila ao ritmo de duas histórias, contadas em paralelo, situadas em duas épocas diferentes: nos anos 1990 do séc.XX, o escritor Tim Curtiz é encarregue de elaborar um argumento para um filme sobre a etnóloga judia Claude Casson, a qual dedicou a sua vida profissional ao estudo da cultura Masai, nos anos 30, e ao regressar à Europa, durante a 2ª Guerra Mundial, acaba por falecer em Auschwitz, vítima da selvajaria ariana e da cegueira mental da própria família. Tim recolhe elementos da vida de Claude, através do testemunho de personagens suas contemporâneas e recorre, frequentemente, ao uso da analogia. Liga, desta forma, a sua vida pessoal e afectiva à da etnóloga acabando por estabelecer um fio condutor que une o passado ao presente.
Ao longo de todo o desenrolar da narrativa, o leitor tem a sensação de estar a assistir a um documentário da BBC. Pela alternância permanente entre cenas passadas num e noutro ambiente, o leitor mais atento é obrigado a repensar o conceito de "selvagem", pela comparação de comportamentos individuais e colectivos inerentes às duas culturas.
As descrições são pormenorizadas, detalhistas e dotadas de um realismo brutal, assemelhando-se, por vezes, às de Patrick Süskind em O Perfume (como a descrição do ambiente infecto de uma sala de cinema, no 1º capítulo).
Um livro humanista e demolidor no que toca à destruição de estereótipos e preconceitos. Suculento para quem é dono de uma mente aberta, a permitir olhar para as civilizações do ponto de vista do relativismo cultural e do interculturalismo. Ideal para quem gosta de pensar.
Cláudia de Sousa Dias
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Mariana é uma adorável colectânea de contos da escritora famalicense Manuela Monteiro, ex-professora de português, que agora se dedica inteiramente à escrita. Inclui quatro pequenos contos que relatam, numa linguagem poética e cheia de ternura, vários momentos da vida e à qual a autora apelida de "o meu livro de afectos".
Ao percorrermos as páginas do conto inicial que dá nome ao livro, deparamo-nos com o cenário idílico do ambiente académico de Coimbra, nos anos 50, que ilustra a turbulência interior do universo afectivo de uma jovem estudante de letras de onde se salienta a expressão do direito à diferença e a ânsia de liberdade de escolha, um traço de personalidade em comum com o carácter insubmisso da autora.
" Mariana" é uma lindíssima narrativa que permite ao leitor reviver a intensidade de um primeiro amor ao qual se mistura o romantismo dos ideais da Revolução Francesa - Liberté, Egalité, Fraternité.
O nome Mariana também não é escolhido por acaso. No texto, transparece a ideia de ter sido precisamente inspirado em "Marianne" o símbolo da República Francesa, devido à preferência da protagonista face a autores desta mesma nacionalidade. Este conto é detentor, para além de uma forte riqueza emocional, de uma aura de secretismo, sobretudo quando se refere ao grupo que se reune "à mesa do canto esquerdo do bar da faculdade", na qual, muitas vezes, a linguagem cifrada dos seus membros faz lembrar um pouco a atmosfera do de um livro de espionagem devido às actividades dos membros do referido grupo que actuam clandestinamente, enquanto conspiram contra o regime totaslitário.
Um pormenor de beleza extraordinária é a introdução, no início de cada capítulo, de um extracto de "o Cântico dos Cânticos", o mais poético dos textos bíblicos, de que a autora se serve para ilustrar a intensidade telúrica do amor e a beleza perfeita do amor entre Mariana e Miguel, marcado pela tragédia, o preço pago pela audácia.
Em "O Avô" a autora recupera a infância perdida expressa nas cores, sabores, perfumes e nos momentos únicos de uma idade dourada e cristalizada no tempo. Uma viagem ao Hades para recuperar um ente querido à semelhança do mito de Orfeu e Euridice.
Em "O Menino" estamos perante um refúgio idílico que representa, mais uma vez, a idade de oiro de uma criança à volta da qual todos se empenham em criar "um paraíso" no qual ela é protegida face às adversidades, evitando os desgostos que elas próprias sofreram na tentativa de lhe proporcionar um crescimento saudável, sem traumas. Edénico. Daí o tecto abobadado no quarto da criança pintado com anjos a velarem pela tranquilidade do seu sono.
Por último, "A Avó" reflecte já a fase madura da vida de alguém que cuja existência foi dedicada a adquirir sabedoria e a transmiti-la às gerações vindouras. É precisamente o que faz esta avó moderna, culta, ao seu neto a quem chama de "passarinho" que corre para ela depois da aulas "com as asas abertas".
Este conto tem a particularidade de proporcionar-nos aos leitores que por ele se deixam fascinar, o reconhecimento de alguns lugares mais característicos como: a Escola Primária, a casa na qual vive um velha senhora com muitos gatos, as grades verdes da escola, o lago em frente à Igreja...
Uma história que tem, tal como a primeira, a intenção de explicar às gerações vindouras a carga idealista da palavra liberdade, personificada, desta vez, pelo símbolo da pomba com as asas abertas tal como o "passarinho" a "voar" para fora da sala de aula em direcção ao espaço aberto onde pode brincar (quase) sem restrições e perpetuar a lembrança de Marianne/ Mariana.
Para manter vivo um mito sem idade e um sonho intemporal. O retrato de uma época de crença no futuro e de esperança. Uma realidade bem diversa da dos dias de hoje.
Cláudia de Sousa Dias
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A vida do fundador do Budismo num texto de uma beleza sublime, onde se evidenciam os valores mais universais.
Estamos perante uma das mais belas obras deste autor germânico nascido em Wuttenberg em 1877 e laureado com o Prémio Nobel em 1946. "Um poema indiano" que exprime uma rara capacidade de descrever a beleza e, simultaneamente, de extraí-la de cada átomo do Universo.
É desta forma que descreve a trajectória de vida de Siddhartha, filho de um brâmane ( sacerdote e intelectual Hindú) que opta por abandonar o conforto da vida palaciana e a segurança de uma existência privilegiada, garantida pelo nascimento e explorar o mundo que o rodeia, com o objectivo de saciar a sua infinita sede de Conhecimento.
Submete-se, numa primeira fase, às privações características de um estilo de vida ascético, depois jogará o jogo do Samsara (o mundo das sensações) ao apaixonar-se pela belíssima cortesã Kamala, tendo, para tal, de sumeter-se às regras de um mundo onde impera a opulência e a volúpia. Mas para ele, as sensações são um mero veículo de aquisição de conhecimento.
Mas a serenidade do Nirvana só é conseguida por Siddhartha quando este é tocado por aquele tipo de amor absoluto e incondicional como aquele que um pai sente por um filho e sofrer por esse amor, igualando-se aos restantes mortais - o chamado "povo das crianças". Menos frio e mais empático, o brâmane aproxima-se das pessoas, interessa-se por elas diferenciando-se delas apenas num pormenor: a consciência.
Em Siddhartha a procura do verdadeiro "Eu" da Alma, do perfeito equilíbrio - a ambição de alcançar o Nirvana - está presente ao longo de todo o romance.
Siddhartha é uma história sublime cuja finalidade é mostrar que através do amor pela humanidade que se encontra verdadeiro Caminho para atingir a perfeição de um Buda (o ser perfeito contemporâneo de Siddharta que, segundo a tradição budista, não precisa de reencarnar).
Para Siddhartha, amar o Mundo é mais importante que explicá-lo. Daí defender que a liberdade nunca pode provir de uma doutrina seja ela qual for. Estas, no entender do protagonista, são apenas "palavras, sem dureza, moleza, arestas, cheiro, gosto"...Por isso, não se podem amar as palavras...Mas pode amar-se as pessoas.
Deste ponto de vista, as diferenças entre civilizações, religiões, culturas ou ideologias esbatem-se e aproximam os homens e facilitando a coexistência no Globo.
Uma utopia talvez tão velha como a Humanidade. Mas que vale sempre a pena perseguir. Que o digam Cristo e Ghandi.
Cláudia de Sousa Dias
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O talento e o espírito crítico de uma escritora famalicense num romance que vem recuperar tradições já desaparecidas e recriar o ambiente da primeira metade do século passado
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em jeito de homenagem...
Um romance histórico, passado em terras do Litoral Norte português, e uma escrita acessível, cativante. Para todas as idades.
Este é um livro que nos transporta para terras da Póvoa de Varzim, mais concretamente, na Cividade de Terroso, fazendo-nos recuar na Máquina do Tempo até ao séc.II A. C. A acção abrange a zona sul da antiga Calécia (entre Douro-e-Minho), ao longo da qual encontramos referência a personagens históricas como Viriato e Décimo Júnio Bruto.
João Aguiar mostra-nos a possibilidade de observarmos o quotidiano dos habitantes de Tarróbriga (Terroso), as suas relações comerciais e o respectivo sistema de estratificação social, assim como o papel das mulheres na sociedade da época, os conflitos e as rivalidades com as povoações vizinhas e, sobretudo, a religião e respectivos rituais, num estilo fluido e absorvente.
Uma Deusa na Bruma é uma obra que, para além de possuir o encantamento e a magia dos romances celtas de Marion Zimmer Bradley, nos permite visualizar a forma como a cultura dos povos pré-romanos da Península Ibérica colide com a chegada das Legiões de Bruto.
João Aguiar mostra aos leitores o legado ancestral que nos foi deixado por duas civilizações rivais, que coexistiram na mesma época e no mesmo território.
Um contributo que segundo o Autor, é igualmente válido e determinante, tanto do lado roamno como do lado lusitano:
...pela parte que me toca, o meu interesse afectivo reparte-se, igualmente, pelos dois mundos que, há mais de dois mil anos, se defrontaram em toda a Península Ibérica. Precisámos de ambos e de muitos outros, para sermos o que somos.
A não perder. Para ir de férias numa viagem no tempo.
Cláudia de Sousa Dias
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Uma maravilha.
Obrigada Cleópatra,pela visita e exploração do meu Blog!
CSd
Passei por aqui para retribuir a visita que fez ao nosso blog e confesso que fiquei positivamente surpreendido!
Adorei tudo o que vi até agora (e não foi muito que o tempo é pouco) mas prometo voltar mais vezes.
Quanto a este livro em particular há já uns anos que o li pela última vez (mas já o li uma duzia de vezes) mas continuo a considera-lo um dos melhores romances alguma vez escritos e de "leitura obrigatória" a qualquer amante de livros.
Mais uma vez parabens pelo excelente blog e boas festas
ainda bem que cá conseguiu chegar antes de este texto deixar de ficar visível no arquivo...
:-)
csd