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Monday, February 28, 2005

"A Viagem de Théo"de Catherine Clément (ASA)

Tradução de Maria do Rosário Mendes


O sincretismo religioso numa viagem à volta ao mundo ao mais puro estilo de Júlio Verne, com a tecnologia e mentalidade comtemporâneas


Théo é um inteligentíssimo e belo adolescente afectado por uma estranha doença que o está a debilitar progressivamente e à qual os médicos não conseguem fazer frente.

Quando parece não haver mais nada a fazer, surge a Tia Marthe, uma milionária excêntrica de carácter céptico e espírito cáustico, viajadíssima…

…que propõe aos pais de Théo, como último recurso, uma viagem à volta do mundo, numa demanda por uma cura alternativa à medicina ocidental, para o sobrinho.

Trata-se, nada mais, nada menos, de uma viagem espiritual ao mundo das religiões, visto que o mal que afecta Théo não parece ser de origem física…

“A Viagem de Théo” é um périplo à volta do mundo, cujo objectivo reside na procura do auto-conhecimento através do contacto com os outros povos, cada qual com a sua forma específica de lidar quer com o sagrado, quer com a doença.

Para tal, a Tia Marthe far-se-à acompanhar dos “informadores” devidamente credenciados na matéria em cada uma das etapas da referida viagem, tal como o faria o mais experiente dos antropólogos.

Mas a viagem de Théo implica, também, uma viagem introspectiva isto é, ao interior de si mesmo, ajudado pelos amigos que vai conquistando em Jerusalém, Cairo, Luxor, Roma, Deli, Benaresh, Darjeeling, Djakarta, Tóquio, Quioto, Moscovo, Istambul, Dakar, Casamansa, Baía, Nova Iorque, Praga até chegar a Delfos, terra dos seus antepassados gregos.

É exactamente na Grécia e no lado grego da sua família que se encontra a raiz e a solução do problema de Théo. A viagem será, para ele, um exercício mental executado segundo o molde de um vídeo-jogo, no qual são fornecidas pistas acerca da etapa seguinte que ele terá de decifrar com a ajuda da Pítia fatou a sua amiga-oráculo. Um estabelecer da ponte entre as suas raízes culturais gregas e a actualidade.

As personagens fascinam pelo conteúdo de informação e conhecimentos com que dotam o leitor de informação relevante acerca da sua própria cultura. A forma de transmissão destes conhecimentos é concretizada através do diálogo destas com Théo que, armado da audácia característica da sua extrema juventude, faz toda a espécie de perguntas, mesmo que politicamente incorrectas, às quais os seus informadores” respondem com toda a paciência e delicadeza do mundo…

Isto porque Théo é um jovem cuja beleza, melancolia e sede de conhecimento despertam, instantaneamente, o afecto e a simpatia de todos os que, com ele, travam conhecimento, apesar da sua impertinência.

Já a Tia Marthe (provavelmente a personagem com a qual a Autora mais se identifica) chama a atenção pelo seu cepticismo religioso que combina maravilhosamente com um humanismo agnóstico.

O diálogo destas duas personagens com os restantes intervenientes lembra, um pouco, as personagens Iblis e Lillith em “Jesus na Fogueira”, também da autoria de Catherine Clément.

Théo pode, assim, ser identificado com o lindíssimo anjo rebelde Iblis (ou Lúcifer) e a Tia Marthe com a indomável Lillith, a primeira mulher de Adão, segundo a tradição judaica do Talmude.

“A Viagem de Théo” é o caminho utilizado pela Autora para esclarecer as questões da metafísica e que muito se assemelha àquele utilizado por Sócrates na hermenêutica (estudo e interpretação dos textos sagrados) - o método interrogativo partindo do pressuposto “só sei que nada sei” , neste caso, da absoluta ignorância de Théo em matéria religiosa.

O objectivo último desta viagem parece ser não só o de tornar Théo, mas também os leitores – que participam silenciosamente no seu diálogo interrogativo – em cidadãos do mundo – como Théo em Delfos –, cohabitantes da mesma aldeia global, respeitando as diferentes formas de relacionar e reaproximar os dois mundos – o físico e o espiritual ou metafísico.

Um livro escrito num estilo acessível, mas cuidado e com o cunho estético pessoal de Catherine Clément, fazendo lembrar o “Filme Falado” de Manuel Oliveira.

Imperdível para quem ousar comer do fruto da árvore do conhecimento sem temer ser expulso do Paraíso…


Cláudia de Sousa Dias

4 Comments:

Blogger Dragonfly said...

Este é sem dúvida um livro maracante.

7:08 AM  
Blogger Claudia Sousa Dias said...

e lindíssimo.

Porque em todas as obras esta autora consegue chegar ao sublime.


csd

10:58 AM  
Blogger EfeitoCris said...

difícil de seguir, pela quantidade de detalhes, mas de uma leitura muito interessante... posso dizer que ainda me falta terminar... da mesma autora comprei Jesus na Fogueira, leste?

tenho outros à frente, mas to curiosa

7:18 PM  
Blogger Claudia Sousa Dias said...

li...muito bom. Interetextualidades com o Corão e com o Hinduísmo...embora haja detalhas que sejam de difícil verosimilhança.


csd

11:51 AM  

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