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Tuesday, April 18, 2006

“O Aroma da Goiaba” de Plinio Apuleyo Mendoza e Gabriel García Márquez (Dom Quixote)


Um conjunto de entrevistas, realizado no início dos anos oitenta, pouco antes de o escritor colombiano ganhar o Prémio Nobel da Literatura em 1982. Uma obra que só em 2005 é publicada em Portugal.

No prefácio, o jornalista Plínio Apuleyo Mendoza fala um pouco dos motivos que o levaram a elaborar um livro como este. Para além de uma inclinação natural pela obra de Gabo, Mendoza foi irresistivelmente desafiado a entrevistar o escritor e, a posteriori, a publicar o livro, por uma aristocrata parisiense que lhe tinha sido apresentada pelo artista plástico, também de nacionalidade colombiana, Fernando Botero.

É somente depois de conseguir entrevistar o arredio autor de Cem anos de Solidão, avesso a qualquer tipo de invasão da sua vida privada, que nasce um livro escrito a quatro mãos, no qual Plinio Apuleyo Mendoza reconstrói as conversas com Gabo, abordando a vida e obra do Autor até à data.

Cerca de vinte e cinco anos depois da sua publicação, O Aroma da Goiaba é editado em Portugal, deixando de fora os bastidores da criação de obras como: O Amor nos Tempos de Cólera, De amor e de outros Demónios e Memória das minhas Putas tristes.

Apesar disso, O Aroma da Goiaba contém a essência da alma de Gabriel García Márquez: os seus valores, gostos ou preferências, a forma de se relacionar com os outros, a sua posição política bem como a relação do escritor com várias figuras políticas mediáticas, as suas raízes culturais e sociais, as referências literárias que mais o marcaram e influenciaram a sua obra.

Gabo é uma personagem fascinante, à volta da qual seria perfeitamente possível escrever um romance.

Senhor de uma profunda sensibilidade, idealista, GGM viveu duramente o período das vacas magras, anos a fio, uma vida de grandes dificuldades económicas, sobretudo durante o período em que residiu em Paris, enquanto não lhe foi possível encontrar um editor que lhe projectasse as suas obras para a ribalta.

García Márquez possui o optimismo e o calor das gentes do Caribe sendo, no seu entender, aquilo que melhor descreve e identifica o povo daquela região, o aroma exalado pela fermentação das goiabas. Gabo afirma que o perfume agridoce da goiaba a apodrecer é aquilo que melhor identifica a forma de ser e estar caribeña. Por que apesar do carácter doce dos costeños – habitantes da costa do Caribe – trata-se de pessoas que, em regra, confundem o ser e o ter. O que implica a corrupção endémica de todo um sistema económico e político. Compara ainda a pobreza sentida na América do Sul e na Europa, expressas de maneiras diferentes, quer por motivos culturais quer porque condicionadas pelo clima.

Origens e Influências

A influência da avó Tranquilina impregnou o seu imaginário das lendas índias dotando-o, ao mesmo tempo, de uma intuição fora do vulgar, que não cabe nos estreitos limites do racionalismo cartesiano.

Do avô, partidário dos ideais socialistas de Garibaldi, herdou as suas convicções políticas, a sua noção de solidariedade, à qual juntou, depois, a sua pena de escritor e jornalista como alavanca para mudar o mundo.

As suas personagens multifacetadas são construções ou montagens, que partem de traços de personalidade pertencentes a várias pessoas diferentes. Na altura, era a mãe quem melhor conseguia decifrar ou desmontar os quebra-cabeças e identificar a quem pertencia o quê em determinada personagem.

A mãe de Gabo está personificada em Santiaga de Crónica de uma Morte anunciada enquanto que a avó Tranquilina é a Úrsula de Cem anos de Solidão, segundo o próprio Autor.

García Márquez, antes de ser um escritor, é um leitor assaz eclético.

As suas obras favoritas, aquelas que mais prenderam a sua atenção e o influenciaram, vão desde os clássicos dos autores gregos, como Sófocles e Homero, até Kafka, passando por Virgínia Woolf, Faulkner, Joyce e Hemingway, este último mais nos aspectos técnicos do que no aspecto estilístico ou ideológico.

O Aroma da Goiaba termina com um pequeno inventário relativo aos gostos e preferências do Autor, uma breve referência às mulheres mais importantes da sua vida – com destaque para a avó, a mãe e a esposa, Mercedes – e a sua relação com a fama.

Um homem que, para além dos reveses da fortuna, se mantém, invariavelmente, igual a si mesmo.

Um livro-radiografia de uma das mais complexas e surpreendentes estrelas do universo literário das últimas cinco décadas.

Com o peculiar aroma dos trópicos...



Cláudia de Sousa Dias

2 Comments:

Blogger -pirata-vermelho- said...

Oh Cláudia, s'uma editora te descobre...

É que, é fácil ler as tuas apresentações entre a crítica e o convite!

(E em que livro é que ele descreve a chegada do circo, dos saltimbancos...? Um encanto! E não me lembro...)

11:07 PM  
Blogger Claudia Sousa Dias said...

É em "Cem anos de Solidão" com a chegada dos ciganos...

Beijinhos!

CSD

11:34 AM  

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