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Bibliomaníaca e melómana. O resto terão de descobrir por vocês!

Wednesday, April 11, 2007

Morte e Nascimento de uma Flor de Elvira Santiago (O Bichinho do Conto)


Uma metáfora sobre o crescimento, o amadurecimento, o amor e a morte, num livro que combina as mais diversas formas de expressão: a escrita polissémica, a expressão plástica, o teatro e a dança. O objectivo é dar, a crianças e adultos, a visão da dualidade entre a vida e a morte, a noite e o dia, o ciclo de vida que implica a constante renovação da Natureza. A expressão musical, o teatro e a dança vêm juntar-se às duas formas de manifestação artística, presentes no livro, no sentido de ampliar o impacto da mensagem nele contida, complementando-a.

Morte e Nascimento de uma Flor deu origem ao espectáculo de música cénica com o mesmo nome, composto por quadros (cenas) em que a Melodia, o Movimento e a Arte Digital se reúnem, formando um todo que pretende ser o ponto de convergência onde desembocam todas as facetas da Arte.

As ilustrações, presentes no livro, a cargo de Joana Quental e de Alberto Péssimo pretendem mostrar, no caso de Joana Quental, uma visão optimista da Vida que se manifesta no seu lado colorido, solar: uma celebração festiva da Primavera como na obra de Stravinsky – ideia que se desdobra no texto propriamente dito, como iremos verificar - ; por outro lado, temos a visão pessimista (e perdoem-me o trocadilho com o nome do ilustrador!), lunar, nocturna de Alberto Péssimo. Porque as Trevas também fazem parte da Vida, assim como a ideia da Morte está indissociavelmente ligada à ideia de Imortalidade, como tão bem frisa Milan Kundera.


A excelência do texto literário de Elvira Santiago manifesta-se num discurso de beleza depurada, onde por detrás da extrema simplicidade das palavras, surge uma multiplicidade de significações, fazendo desabrochar a Poesia nelas contida. Essa mesma pluralidade de significados transporta o texto de Morte e Nascimento de uma Flor para a categoria de obra intemporal e universal que se cola, de forma indelével, às almas cristalinas e sem idade das pessoas sensíveis.

O lado emocional é despertado pela temática do nascimento decorrente de uma morte e posterior amadurecimento de uma diáfana flor branca, a personificação da pureza de sentimentos e atitudes.

A Flor Branquinha é um ser que, para amadurecer, tem de contar com a ajuda dos amigos que vai conquistando com a sua beleza cândida, interior e exterior.

Os quatro elementos – Terra, Ar, Água e Fogo – são as pedras basilares que fomentam o seu crescimento.

O Ar, representado pelo Vento, transporta a pequena semente, afugenta o Medo, deposita a semente da Flor Branquinha no local mais adequado para que ela possa germinar. O Vento é o elemento disseminador. Já a Água, fecunda e transporta o alimento, mas é fria; a sua acção fertilizante só se torna activa com a ajuda do Sol, que representa o elemento Fogo. O Sol é a energia e também a centelha de magia que desperta o Amor. É o Sol que aquece o coração, afugenta a Tristeza da pequena Semente e, ao fazer com que a Água (lágrima) evaporar possibilita que a semente germine, crie raízes na Terra – uma metáfora que pode significar o útero materno. Também a alerta para as influências nocivas e as más companhias personificadas na figura da Lagarta Peluda – um ser viscoso que tenta aliciar a pequena semente-criança a desviar-se do seu caminho e afastá-la do lugar onde ela pode crescer de forma saudável, sem saltar etapas. É com o Sol que a Flor, ainda na fase semente ou criança, enceta um diálogo belíssimo sobre o amor e o crescimento-amadurecimento, a fazer lembrar a Raposa e o Principezinho quando abordam o sentido da palavra “cativar” (aprivoiser, no original).

Por seu lado, o Vento traz à Semente o conceito de Transformação, operada em conjunto com o Tempo, o Sol presenteia-a com o conceito de Memória, pois é, precisamente, a Memória que cativa, que aprisiona, aliando a si o sentimento de Nostalgia e de Saudade.

O Tempo movimenta a dança dos Elementos. O Vento que foge, o Sol que alterna a noite com o dia, a Nuvem que oculta temporariamente o Sol e que representa o ciclo da Água que, em conjunto com os outros elementos, fomenta a própria Vida.

A Semente acaba por descobris que o segredo do amadurecimento se esconde no Tempo. Que é preciso saber esperar quando queremos ligar-nos a alguém. A Flor tem de esperar o regresso do Sol.

Mas antes irá viajar nas asas do Vento, ou melhor, da Borboleta e da Abelha, ajudadas pela Brisa – duas inesperadas aliadas. A semente tem ainda de criar as suas raízes – fundamentar, consolidar convicções – para saber a mundo pertence.

Uma belíssima obra literária, destinada ao público infanto-juvenil, de altíssimo teor pedagógico, para ser lida em conjunto por crianças e adultos.

Ou, se quiserem, por flores e pequenas sementes…


Cláudia de Sousa Dias

18 Comments:

Blogger helena said...

This comment has been removed by the author.

4:55 PM  
Anonymous Isabel said...

De facto és uma excelente critica literária, vim confirma-lo por me terem despertado a atenção as perguntas que fizeste sobre o meu personagem Carlos.
Interrogo-me se como serás como escritora, algo me diz que deves também escrever e bem.
Tenho vontade de ler este livro e de o ler com a minha enteada a quem tento cultivar o gosto pela leitura.
"Obra intemporal e universal que se cola, de forma indelével, às almas cristalinas e sem idade das pessoas sensíveis.", dizes tu. Lembrou-me o Princepezinho
que eu hei-de ler até morrer e espero que o mundo também. Ofereci-o à minha menina e constatei com agrado que anda dentro da mochila da escola e no saco de fim de semana para todo o lado. Gostei confesso. Não sou a mãe mas é a minha forma de semear.

Carlos e o narrador não são a mesma pessoa o que o narrador sabe os personagens podem ou não saber.
Carlos sabe que matou tem dúvidas se ter morto alguem faz de si um assassino.
Eu que sou o narrador , tenho a minha opinião sobre o que Carlos é faz só a revelarei no fim quando o personagem tambem tomar consciência do que é.
Carlos é um homem convencido que é assumidamente homosexual e é-o, no entanto pouco sabe de si como pessoa e é essa dura descoberta que vai fazer sozinho.
Queixou-se de incompreensão, desesperou pedindo para ser amado. Depois de ter morto Ali, sem saber sequer bem como vai ter de perceber que ele não sabe amar, não sabe sequer o que é esse sentimento que tanto exigiu dos outros a vida inteira.
Ali de facto não existe, é igual para carlos a todos os outros, único no momento e depois igual a todos, representa apenas a desilusão constante de alguém que muda constantemente as suas expectativas e nem sequer tem consciência de que o faz.
Carlos como tu dizes e bem faz dos amantes o mundo, a sua desilusão é com o mundo e consigo mesmo.
Carlos não quer admirar o mundo, nem o amor ou o amante , quer admirar-se a si, quer ser admirado, quer construir um mundo á sua imagem para admirar.
A realidade, a solidão, a vida , as pessoas com quem se vai cruzar vão-lhe mostrar que queixou-se a vida inteira de pessoas como ele, mas ele foi pior, ele foi mais longe, sendo sempre por todos considerado um bom menino, uma vitima, ele matou.
Matou uma vez acidentalmente em desespero ou existe dentro de si a alma de um assassino? Matou por desespero ou por prazer?
É um homem que um dia matou outro homem ou é um assassino?

Espero ter-te respondido... este livro que estou a escrever é longo porque é um livro em que as personagens se vão construindo e destruindo junto comigo, que me construo e destruo com elas.

Há um pouco de mim em cada uma.
Do que já fui, do que sou, do que serei um dia. Do que já pensei, do que penso, do que adivinho irei pensar.

Obrigada pela tua atenção.
É um elogio para quem escreve ser lida assim.

E obrigada pelas tuas sugestões literárias.

Isabel

4:58 PM  
Blogger un dress said...

mais um para acrescentar à minha lista...

nas tuas palavras os livros tornam-se quase obrigatórios...o que só abona a teu favor...:)

beijO*

12:51 PM  
Blogger o alquimista said...

MAis um para eu comprar, já és responsável por algumas das minhas aquisições...

Doce beijo

1:54 PM  
Blogger Claudia Sousa Dias said...

Olá Isabel!

Que bom ver-te novamente por aqui. Continuo a achar que Carlos matou, não por desespero, mas por não conseguir sair do poço profundo do seu egoísmo.

Tenho de pensar assim, caso contrário iria encontrar justificação para todo o tipo de agressões entre casais, crimes passionais e ouras coisas afins que considero intoleráveis.

para mim, no amor nunca cabe a agressão, não o admito.

E muito menos o crime. Não tenho pena daquele que mata e depois faz-se de coitadinho, dizendo que foi o desespero.

Face a esse argumento, só tenho vontade de ser cruel, e dizer-lhe: "se estás desesperado então mata-te a ti e deixa-me em paz".

O facto de tudo perdoar e de dar sempre a outra face é que faz com que muitas mulheres - e, por vezes alguns homens - sofram maus tratos durante anos a fio, acabando muitas vezes em situações de crime passional.

É a minha cnvicção. Uma ds poucas face às quais sou inflexível...

2:01 PM  
Blogger Claudia Sousa Dias said...

Undress, e Alquimista, vocês até me fazem corar!

Beijos

4:18 PM  
Blogger Isabel said...

Olá Clara,

Sabes gostei muito da paixão dos teus comentários, eu tambem sou assim de fortes convições.
Agora as ninhas convições sou eu, um livro ou uma história não sou apenas eu... sou eu e mais os personagens que se não ganharem vida própria não são personagens.
Se eu quisese escrever um tratado ou um livro de opinião seria uma coisa se eu quero escrever um romançe tenho de deixar as personagens viver e respirar por elas, tenho que ouvir e escrever as suas culpas e desculpas.
Claro que a agressão fisica está errada, claro que não existe desculpa para ela, é por isso que é importante retratar personagen que a cometem e falar na forma como se autodesculpam ou não, para no fim ser o leitor a fazer o seu julgamento.
È uma questão de liberdade. Do autor, neste caso narrador, das personagens e por último do leitor.
Ainda bem que te suscita essa paixão é essa a ideia de um personagem que, não sei se leste o inicio, comecou por despertar carinho e compreensão.

Mais uma vez obrigada pela forma atenta e com tanto de ti como lês.

Beijinhos,

Isabel

4:56 PM  
Blogger Claudia Sousa Dias said...

Um beijo ainda maior para ti!

Mal posso esperar para ver o teu romance completo!

CSD

8:20 PM  
Blogger inominável said...

ois!

Já apareceu aqui o "O Leopardo" dei Lampedusa??? Não???? É urgente" ;)

5:35 PM  
Blogger Claudia Sousa Dias said...

Ainda não, Inominável!

Mas vai aparecer!

Porque é um dos filmes baseados numa dada obra literária que eu pretendo apresentar aqui na biblioteca!

Se não for ainda este ano, será pelo menos para o início do próximo!

Grande beijinho!


Cláudia

6:38 PM  
Anonymous karin said...

Cláudia,muito obrigada pelo convite!Não tendo carro e sendo do Porto, não prometo. No entanto, vou tentar convencer algum amigo com 'boleia'.Se puder, claro que vou.

8:43 PM  
Blogger jp said...

és , és, do melhor que tenho lido.
;)*

1:08 AM  
Blogger inominável said...

ois... se quiseres uma ajuda no Lampedusa, avisa... LOL

4:02 PM  
Blogger Claudia Sousa Dias said...

JP, é um incorrigível querida!

Inominável, Acerca do Lampedusa, vou ler o livro nos próximos meses, mas a apresentação do filme no Cineliterário da Biblioteca Municipal aqui em Famalidog, só e, jameiro do próximo ano...

Mas para o próximo dia 24, de amanhã a 8 dias, já estou a preparar "A última Tentação de Cristo"...Vem mesmo a propósito, no contexto das últimas descobertas arqueológicas..

Beijo grande!

CSD

4:22 PM  
Blogger Miss Alcor said...

Mais uma excelente sugestão! Brilhante crítica.

7:34 PM  
Blogger Claudia Sousa Dias said...

Obrigada mIss Alcor!

Penso que amanhã já devo ter nova postagem. Tanto no Arabie como no hasempreumlivro!

bjo

9:18 PM  
Blogger isabel victor said...

a escrita polissémica ?

a escrita no sentido mais amplo da palavra não será sempre polissémica ?

Gostava de poder ler todos estes livros que nos trazes ! Como ?

Obrigada por este teu excelente trabalho, cara internauta Cláudia.

Ao menos, assim, vamos lendo através do teu ler

um Bj* literário

11:36 PM  
Blogger Claudia Sousa Dias said...

Obrigada Isabel!

Sim, a escrita criativa tem sempre uma boa dose de polissemia, embora numa obras seja mais notório do que noutras.

Por exemplo, consideremos a diferença entre dois autores de vulto, no século XX, com obras que deram origem a violentas reações perante o público adepto do cristianismo: Nikos Kazantzakis com "A última Tentação de Cristo" (título que lhe valeu a excomunhão) e Gore Vidal com "Em Directo do Calvário".

O primeiro tem uma escrita muito mais poética e literária do que o segundo, com um estilo muitíssimo trabalhado. A quilo que choca os leitpores mai tradicionais é o facto de Cristo aparecer como um homem mdividido entre a carne e o espírito e que, numa perspectiva muito Jungiana, trava dentro de si uma luta entre duas forças opostas: o desejo de se fundir com a divindade e, por outro lado a vontade de ceder aos impulsos do corpo obtendo simultaneamente uma vida identica á do homem comum.

Já Gore Vidal apresenta um Messias tal como o conheemos muito semelhante a um zelota, sionista, com uma personalidade aguerrida, mais semelhente a um Maomé judeu - disposto a iniciar uma Jihad a favor de israel - do que propriamente com o pacífico Jesus, tal como nos é apresentado pela tradição cristã - isto é um cristo com uma personalidade muito parecida à de Ghandi...

A diferença de linguagem é gritante.

Mas esperem até sair o comentário a cada uma das obras...

;-)

Beijos

CSD

5:11 PM  

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