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Friday, January 06, 2006

“O Conde de Abranhos” de Eça de Queirós (Porto Editora; Planeta DeAgostini)


Estamos perante mais uma sátira queirosiana, dirigida à classe política do Portugal do último quartel do sec.XIX.

O romance é construído com base na intenção do secretário do Conde de Abranhos de escrever a biografia deste último. Z. Zagalo, o secretário, declara-o à condessa viúva, em estilo de homenagem ao falecido Conde, numa carta de pêsames, que acaba por se tornar num autêntico elogio fúnebre.

A personalidade deste secretário-narrador parece ser, aparentemente, a de um típico funcionário público: detentor de qualificações médias, inteligência mediana, capacidade crítica limitada – patente no gosto, algo duvidoso, pelo exagero relativo à apreciação das qualidades físicas, genealógicas, intelectuais e de carácter do Conde de Abranhos.

À primeira vista, Zagalo parece ser o maior defensor da ordem estabelecida, da monarquia e do partido no governo, ultra-conservador e bajulador ad nauseam.

Mas, na realidade, o secretário do Conde é o mestre do sarcasmo pois, ao fingir elogiar o seu antigo chefe está, na realidade, a salientar os aspectos mais execráveis da personalidade do Conde, colocando-os em evidência, ao descrever as suas atitudes, salvaguardando-se, ao mesmo tempo, de um processo judicial. É desta forma que coloca a nu as verdadeiras origens sociais de Alípio Abranhos, ao mostrar como este nega ajuda à família, o seu pseudo-moralismo, o oportunismo político, a traição aos seus próprios ideais…

O Conde de Abranhos é, na verdade uma personagem medíocre, mas premiado pela sorte. Consegue ascender socialmente, primeiro, graças a uma avultada herança de um parente colateral, depois, através de um casamento vantajoso e, sobretudo, pela bajulação e um indiscutível talento para o plágio.


Eça aproveita a descrição levada a cabo pelo funcionário Zagalo acerca das “vitórias” académicas do Conde, para criticar os métodos de avaliação utilizados no ensino superior, colocando em destaque a prepotência e o egocentrismo de quem gosta de ver as suas “sebentas” perpetuamente reproduzidas nas folhas de exame, assassinando, ao mesmo tempo, qualquer assomo de espírito crítico ou centelha de criatividade.

Na carta dirigida à condessa viúva, Zagalo dá a entender tratar-se, esta, de uma mulher convencional, sempre politicamente correcta, ou seja, uma verdadeira “mulher de César”. Ao contrário da primeira condessa de Abranhos, falecida, ao que tudo parece indicar, após um incidente algo semelhante ao de Luísa de O Primo Basílio. Ambas são fisicamente semelhantes – a típica loira queirosiana – de origens sociais também semelhantes, que casam com homens um pouco abaixo da sua condição social. Contudo, Jorge, o marido de Luísa, é um dotado engenheiro de minas, íntegro, culto, um amante dedicado, enquanto que o Conde é uma verdadeira fraude social e intelectual e um marido manifestamente negligente. Corrupto e egocêntrico, é pouco atencioso, mais preocupado com a exibição dos seus dotes oratórios do que com o estado físico da sua esposa, aquando do nascimento do seu primeiro filho.

É, também, pela voz de Zagalo que ficamos a saber a opinião de Eça acerca das mulheres intelectuais como a insinuante esposa do Dr. Fradinho. Apelidada de bella, ou de sereia, este género de mulher não é bem vista pelo Autor, pelo facto de a cultura, a sapiência e a verve actuarem como facilitadores da aproximação masculina e, simultaneamente, suscitar o interesse do sexo oposto.

E é, também, nesta obra que o Autor faz o ponto da situação política e social na Europa mostrando as suas excepcionais capacidades de análise e dotes de visionário – ao prever o desmembramento do Império Britânico e o fim da classe política dominante naquele País –, relativamente ao nível de desenvolvimento de Portugal, em comparação aos seus parceiros mais evoluídos na Europa da época.

Para além disso, o Autor fornece, simultaneamente, alguns indicadores interessantes para que possamos constatar, de uma forma mais objectiva, o grau de atraso no que toca ao desenvolvimento económico e cultural do Portugal de então, mais preocupado com as tricas políticas entre partidos rivais, todos eles com a prioridade absoluta de assegurarem um lugar no Governo ou administração Pública para os seus amigos ou familiares.

Mais uma obra imperdível, pela sua lucidez, do maior romancista português de todos os tempos.


Cláudia de Sousa Dias

9 Comments:

Blogger mixtu said...

para mim tb é o maior romancista, isto é, é o que me dá mais prazer a ler.
saludos

4:14 PM  
Anonymous O'Sanji said...

Bjs. Fico à tua espera! ;)

8:26 PM  
Blogger Catarino said...

Sem dúvida o maor romancista, português, a par de Camilo CAstelo Branco. E só não é o melhor escritor português porque tem um senhor camado Miguel Torga à sua frente...
Obrigado pelos comentários no meu blog...

6:12 PM  
Blogger Claudia Sousa Dias said...

Beijos aos três e obrigada por esta visita ao fim-de-semana!

:0)

CSD

7:30 PM  
Blogger saralando6168 said...

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12:35 PM  
Blogger Claudia Sousa Dias said...

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What does exactly "inquisitive" mean?

there is a similar word in portuguese, but i've got the feeling that it is a false friend...

CSd

PS - Your blog is cool! I enjoyed it:)

7:55 PM  
Blogger jp said...

Abranhos, que me lembra sempre abrunhos,tenho a vida feita de reflexos condicionados é o que é.
E o Eça, o Éça é uma peça rara.
Beijo

2:13 PM  
Blogger Claudia Sousa Dias said...

Belo trocadilho!
Logo já terei mais qualquer coisa para ti!

Beijinhos!

:0)

CSD

4:43 PM  
Anonymous Anonymous said...

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11:33 AM  

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